Arquitetura e política - Ensaios para mundos alternativos

Arquitetura e política aborda uma das questões-chave da arquitetura contemporânea: a responsabilidade dos arquitetos para com a sociedade. Nestes cinco capítulos -Histórias, Mundos, Metrópoles, Vulnerabilidades e Alternativas- a obra segue um percurso histórico, que abrange desde o papel social dos arquitetos e urbanistas até a atual era da globalização. Por meio de temas como vida comunitária, participação, igualdade de gênero e sustentabilidade, o livro trata tanto das vulnerabilidades contemporâneas como das alternativas já experimentadas. Daí seu subtítulo Ensaios para mundos alternativos.

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  • Descrição
    Arquitetura e política - Ensaios para mundos alternativos

    Arquitetura e política aborda uma das questões-chave da arquitetura contemporânea: a responsabilidade dos arquitetos para com a sociedade. Nestes cinco capítulos -Histórias, Mundos, Metrópoles, Vulnerabilidades e Alternativas- a obra segue um percurso histórico, que abrange desde o papel social dos arquitetos e urbanistas até a atual era da globalização. Por meio de temas como vida comunitária, participação, igualdade de gênero e sustentabilidade, o livro trata tanto das vulnerabilidades contemporâneas como das alternativas já experimentadas. Daí seu subtítulo Ensaios para mundos alternativos.
  • Sobre o Autor
  • Especificação

    Características

    Tipo de LivroLivro Físico

    Especificações

    Sobre o AutorJosep Maria Montaner

    Josep Maria Montaner (1954) é doutor em arquitetura e catedrático do Departamento de Composição da Escola Tècnica Superior d’Arquitectura de Barcelona (ETSAB-UPC), onde tem codirigido o programa de mestrado Laboratório da Moradia do Século XXI. Montaner já foi professor convidado em diversas universidades da Europa, América e Ásia e é autor de inúmeros artigos e publicações, entre os quais se destacam Sistemas arquitetônicos contemporâneos (2015), A modernidade superada (2011), Arquitetura e política (2014, com Zaida Muxí), Arquitetura e crítica (2014), Del diagrama a las experiencias, hacia una arquitectura de la acción (2014) e A condição contemporânea da arquitetura (2015), todos publicados pela Gustavo Gili. Colaborador habitual de revistas de arquitetura e dos jornais espanhóis El País e La Vanguardia, em junho de 2015 foi nomeado conselheiro de habitação e do distrito de Sant Martí na Prefeitura de Barcelona.


    Zaida Muxí
    Zaida Muxí es arquitecta y profesora titular de Urbanismo en la Escola Tècnica Superior d’Arquitectura de Barcelona (ETSAB), de la que actualmente es subdirectora. Ha sido profesora invitada en diversas universidades de Europa, América y Asia. Es experta en urbanismo y género, y autora de La arquitectura de la ciudad global (Editorial Gustavo Gili, 2004); publica regularmente en revistas especializadas de arquitectura y en el diario La Vanguardia.
    Informações Técnicas Texto do prólogo

    HOMEOPATIA CRÍTICA

    Jordi Borja

    “Menos é mais”, disse Ludwig Mies van der Rohe. O livro de Josep Maria Montaner e Zaida Muxí consegue dizer muito em cada um de seus breves capítulos. Tudo o que você queria saber, mas que talvez não tenha se atrevido a perguntar acerca da história do urbanismo, da arquitetura da cidade, da sociedade de consumo, da especulação imobiliária, do problema da moradia, das tradições críticas à urbanização capitalista, das experiências alternativas, da circulação e do direito à mobilidade, do meio ambiente urbano, da responsabilidade social dos profissionais (e especialmente dos arquitetos), da relação entre urbanismo e poder, da globalização e de seus efeitos no local, das fronteiras e dos muros urbanos, das catástrofes passadas e vindouras, da sociedade do esbanjamento, dos arquitetos famosos, das experiências bem-sucedidas em diversas cidades, do turismo urbano, da memória cidadã, dos pobres e dos sem-teto, do feminismo urbano, da cultura institucionalizada, da participação cidadã, do direito à cidade e de alguns temas mais. Tudo isto você encontrará explicado aqui de forma bem resumida e com citações que remetem a livros interessantes e que são exemplos esclarecedores.
    Por um preço módico e um tempo relativamente breve dedicado à sua leitura, você poderá se informar sobre os temas citados e encontrará múltiplas referências, clareza expositiva e certa amenidade, além de encontrar críticas contundentes e sugestões interessantes. Este livro lhe proporcionará guias ou pistas para entender melhor o mundo atual, fundamentalmente urbanizado. Porém, preste atenção: este livro é perigoso. Se você realmente se interessa pelos múltiplos temas que ele expõe, sentirá a necessidade de ir além, de obter mais informações, de ler algumas das obras citadas, de pesquisar sobre nomes que se mencionam. Trata-se de um livro que suscita múltiplas curiosidades. Se você o ler animado por sua aparente facilidade, não resistirá à vontade de fazer uma imersão em muitos outros textos e documentos.
    Este é um livro homeopático, por sua brevidade em relação às múltiplas temáticas e por permitir uma leitura em pequenas doses (a leitura de um capítulo antes de jantar lhe poupará de meia hora de televisão), por sua eficiência produtiva, se levamos em conta o pequeno esforço que exige, bem como a informação e a reflexão que propicia. E, como a homeopatia médica, no pior dos casos, não causa dano, ninguém terá perdido tempo com sua leitura. Além disso, trata-se de um livro (e isto é o mais interessante) que traz consigo uma forte carga crítica derivada da exigência ética dos autores, de sua análise dos efeitos perversos do capitalismo especulativo atual e de sua concepção da responsabilidade dos profissionais.
    O livro parte da consideração de que, mais do que técnica, o urbanismo é política; a arquitetura urbana – que é o tema do livro – é especialmente política. Diante de cada problema urbano, cada conflito de opiniões ou de interesses, cada desafio gerado pelas mudanças no entorno, não há “uma única solução”, mas várias e muito diversas (“solução” não é a palavra mais apropriada; “resposta” é melhor). Dependerá daquilo que se quer conseguir, das demandas ou necessidades que se priorizam, dos custos previstos, dos benefícios que se consideram mais legítimos. O urbanismo é uma dimensão importante da política. A cultura e a técnica acompanharão o diagnóstico e possibilitarão a elaboração dos programas e projetos. Mas a definição de objetivos e estratégias e a opção entre várias propostas possíveis fazem parte da política. E como dizia um humorista espanhol, agora “falaremos do governo” – contra os poderes políticos e econômicos que nos levaram a um “caos sistêmico”.

    O URBANISMO COMO POLÍTICA
    Certa vez, um jornalista perguntou-me se existia um urbanismo de esquerda e outro de direita. Respondi a ele que o urbanismo era de esquerda e a especulação, de direita. Se queremos que as pessoas nos entendam acerca de questões importantes, nossas respostas devem ser contundentes, simplificadoras, provocadoras, isto é, o contrário da linguagem acadêmica, erudita, própria do jargão profissional ou da retórica dos políticos. O urbanismo nasceu e se desenvolveu como disciplina prática de intervenção sobre o território para “ordená-lo”, com o fim de organizar o funcionamento da cidade e o acesso aos bens e serviços coletivos de seus habitantes e usuários. Porém, desde seu início, também exprimiu uma vocação de transformação social, de melhorar a qualidade de vida das populações mais necessitadas, de reduzir desigualdades.
    Essa vocação política foi desaparecendo em grande parte do urbanismo atual; além disso, o pensamento desse urbanismo, poderíamos dizer, “naturalizou” como evidências objetivas ou como mecanismos intocáveis os efeitos perversos do capitalismo especulativo dominante. É preciso combater as palavras, os pseudoconceitos que obscurecem a realidade e justificam os desmandos urbanísticos. Faz sentido falar de cidades “competitivas” quando grande parte da produção de bens e serviços se destina ao mercado local sendo que somente algumas atividades devem ter esta finalidade? Ou exaltar a “participação” quando, na maioria dos casos, é utilizada por parte dos poderes públicos para gerar consenso passivo e para deslegitimar o conflito social? Não é confuso propor sustentabilidade sem denunciar os efeitos não sustentáveis de muitas obras públicas, do desenvolvimento periférico extensivo, da arquitetura ostentosa e custosa, da economia e da cultura do automóvel particular, das legislações urbanísticas e financeiras permissivas etc.? São críveis os programas políticos que propugnam o direito à moradia, à mobilidade ou ao acesso às áreas centrais e que, no entanto, não propõem medidas para deter a especulação do solo e a exclusão dos setores populares das áreas centrais renovadas e a regulação do transporte público para que seja acessível – devido à extensão da rede e do preço da passagem – a toda a população? Os discursos incompreensíveis sobre “governabilidade ou governança” têm alguma utilidade que não seja a de contribuir para tirar a responsabilidade dos governos e legitimar a inflação institucional? É admissível a dupla linguagem de tantos arquitetos e urbanistas que, nas universidades e na imprensa, nos bombardeiam com discursos humanistas, ao passo que em suas obras ou nas revistas profissionais quase sempre exaltam a arquitetura como um objeto singular e gratuito?
    Na atualidade, o mundo desenvolvido europeu e norte-americano vive uma crise econômica em parte resultante da aliança ímpia entre o capitalismo financeiro e os governos cúmplices e, por outro lado, causada pelos “blocos cemitérios” e pelos governos locais colaboracionistas. É curioso que, nos foros políticos e acadêmicos que debatem as problemáticas urbanas, quase não seja citada, de forma concreta e denunciadora, a relação entre a crise econômica, o endividamento público e privado, o protagonismo do capital especulativo nas pautas de urbanização e o boom imobiliário, como, por exemplo, no Foro Urbano Mundial (Rio de Janeiro, março de 2010) e na Cumbre Mundial de Líderes Locales y Regionales (Cidade do México, novembro de 2010). É uma omissão culpável por parte dos atores políticos? Sim, é óbvio, e eles também são cúmplices, por temor às mudanças, por submissão aos poderes econômicos e midiáticos, por ignorância e por falta de audácia e imaginação, mas também por corrupção – não tantas vezes como parece, mas o suficiente para que se possa falar de uma gangrena que destrói a credibilidade da política em muitos países.
    No entanto, seria injusto não denunciar o conluio culpável dos meios acadêmicos, intelectuais e profissionais, em alguns casos por meio da colaboração ativa nos processos perversos da urbanização atual em outros, mediante discursos e obras legitimadoras, tanto procedentes dos narradores sociais como dos arquitetos. Nos meios universitários, muitas vezes, o auge alcançado por um neopositivismo pseudocientificista foi a imposição de um tipo de trabalho (artigos em revistas indexadas, formato das teses doutorais) que oscila entre o conhecimento reprodutivo, os estudos artificiosos e a justificação da realidade aparente como a única possível. Legitimou-se como saber acadêmico o “não comprometido”, aquele que elimina o pensamento crítico e que rejeita a intervenção transformadora da realidade social.
    Não obstante, é preciso saudar o fato de que se produziu, especialmente na América Latina, uma reação intelectual, social e política perante a “traição da intelectualidade urbana” ou de grande parte dela. Os precedentes foram os movimentos populares urbanos das últimas décadas, que encontraram em seu caminho grupos de profissionais e de acadêmicos que combinaram
    o estudo daqueles com a participação militante. Assim se desenvolveram o movimento urbano de reforma, iniciado no Brasil e que já se encontra estendido por todo o continente, os centros de estudos (acadêmicos e independentes) e as ONGs, que foram elaborando um pensamento crítico e alternativo vinculado às mobilizações sociais e políticas, e publicações como o Café de las ciudades, de Buenos Aires, que se converteu em uma referência internacional, e muitas outras (Polis e Ciudades, no México, Foro, na Colômbia, Proposiciones/Sur, no Chile etc.). Mais recentemente, a emergência do “direito à cidade” como conceito integrador de um projeto democrático de cidade, promovido pela Habitat International Coalition, já produziu interessantes documentos resultantes do trabalho de numerosos grupos, como a Carta por el Derecho a la Ciudad, da Cidade do México, e a obra Ciudades para todos.

    A RESPONSABILIDADE DOS INTELECTUAIS
    O fio visível que une os ensaios do livro de Montaner e Muxí é a relação existente entre a arquitetura e o urbanismo com a política; e o que serve de chave interpretativa dos textos é a responsabilidade dos intelectuais. Isso é uma questão especialmente importante quando se vive um momento histórico de mudança e uma forma de entender a responsabilidade intelectual que não se inclui na cômoda e a distinção bem-sucedida de Max Weber entre a ética das convicções e a das responsabilidades. Agora não se trata só de “mudar o mundo”, mas de que o mundo muda, gostemos ou não, e que é preciso entender as dinâmicas dessa mudança, diferenciar aquilo que é progresso da humanidade ou então maior desigualdade, sustentabilidade e miséria social e moral. Françoise Giroud, uma intelectual liberal-democrata (codiretora de L’Express, em seu período glorioso, e mais tarde ministra do governo de Giscard d’Estaing), escreveu ao final de suas memórias: “Sempre fui bastante cética quanto à capacidade de progresso moral da sociedade, mas sempre acreditei no progresso social […]. Agora duvido disso também”.
    A responsabilidade dos intelectuais parte de uma opção moral: combater a injustiça, os privilégios, as exclusões e a degradação do mundo. O famoso economista marxista norte-americano Paul A. Baran escreveu, na década de 1960, sobre aquilo que entendia por responsabilidade intelectual: “Como economista, eu poderia demonstrar o efeito positivo que a escolarização universal das crianças e a possibilidade de que todos pudessem optar por estudos superiores teriam no crescimento e no bem-estar de um país. Mas rejeito essa explicação. O acesso de todos à educação é um direito humano básico, não precisa de argumentos econômicos”. Podemos dizer o mesmo sobre os direitos que configuram o “direito à cidade” como direito integrador da moradia, da mobilidade, do espaço público, da centralidade, do salário cidadão, da formação continuada, da igualdade político-jurídica de todos os residentes, do governo da cidade real ou do governo metropolitano, da participação cidadão etc.
    A responsabilidade dos intelectuais não se reduz a uma tomada de posição moral, mas exige pelo menos três tipos de exercício de tal responsabilidade: em primeiro lugar, não apenas contribuir para as dinâmicas urbanas perversas por meio de estudos, publicações e projetos, mas também desenvolver uma atividade crítica permanente; segundo, utilizar seus conhecimentos para entender e explicar os mecanismos e as contradições que geram essas dinâmicas e participar das reações sociais de quem se opõe a elas; e, por último, contribuir com a elaboração de propostas reformadoras dos mecanismos perversos e, assim, gerar culturas alternativas. Trata-se de recuperar a ética política dos enciclopedistas do século XVIII, dos democratas e socialistas do século XIX e dos revolucionários do século XX para formular um pensamento progressista do século XXI.
    Esta obra de Montaner e Muxí situa-se na contracorrente das ideologias dominantes da política institucional, das universidades e dos meios profissionais midiáticos, ao mesmo tempo que representa uma contribuição intelectual rigorosa ao patrimônio cultural popular, isto é, à grande maioria deste mundo globalizado. É um livro elegantemente subversivo, e, como disse o católico Georges Bernanos: “São precisos muitos subversivos para se construir um povo”.


    Sumário

    Índice
    Homeopatia crítica, por Jordi Borja

    INTRODUÇÃO

    HISTÓRIAS
    As formas do poder
    Do “sentido ético” de William Morris e “o arquiteto na luta de classes” de Hannes Meyer às “estrelas da arquitetura”
    A ação política a partir da arquitetura
    As tradições alternativas de vida comunitária

    MUNDOS
    A globalização e o universo rizomático
    As fronteiras quentes
    O mundo pós-Chernobyl
    A vida-lixo ou o slow food

    METRÓPOLES
    O urbanismo tardo-racionalista: de A Carta de Atenas à cidade global
    As cidades alternativas: Curitiba, Seattle, Bogotá e Medellín
    O turismo e a tematização das cidades

    VULNERABILIDADES
    Os traumas urbanos: o apagamento da memória
    O neofeudalismo imobiliário: o problema da moradia e das casas vazias
    As cidades de slums e a geografia dos sem-teto

    ALTERNATIVAS
    A cidade próxima: o urbanismo sem gênero
    Novas epistemologias para o urbanismo contemporâneo
    A cultura institucional e a sociedade civil
    Por uma cultura crítica e alternativa, da experiência e do ativismo

    Comentários e agradecimentos
    Notas bibliográficas

    Informações Técnicas

    Nº de páginas:254
    Origem:Importado
    Editora:Editora GG Brasil
    Idioma:Português
    Edição:1ª Edição
    Ano:2015
    ISBN:9788565985413
    Encadernação:Brochura
    Autor:Josep Maria Montaner, Zaida Muxí
  • Informações

Avaliação técnica sobre o livro

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